Às vezes pergunto-me porque há momentos em que o vazio é um lugar calmo e tranquilo onde posso meditar, e, por outras, é um espaço incomensurável onde me perco e me sinto sozinho. Gosto do silêncio, é precioso quando preciso olhar para dentro da minha alma, quando quero perceber o Eu, ou, quando quero sentir apenas o momento em que o Universo me abraça. Mas, depois, acontece aquele instante em que o nada me engole, caio em deriva no abismo que não termina, o vácuo é um lugar sem tempo onde o medo invade a alma e deixa o corpo que se precipita para o drama  encenado da escuridão.
Esta ambiguidade, quebra o equilíbrio, a vontade de ser silêncio, de ser meditação de ser apenas e só emoção. Não me escondo, mesmo na plenitude da solidão, encontrada entre muitos, no meio da multidão, vagueio até me encontrar, frente a frente com o reflexo dos meus versos, com a singularidade das palavras que me fluem nas veias, e volto ao silêncio apetecido, à vontade de estar em mim, de me fazer auto da peça que enceno, senhor dos personagens que crio, é nesse momento que te invento.